Sobre o maior obstáculo para confiar na IA hoje:
O maior obstáculo não é a tecnologia em si, é o descompasso entre a velocidade de adoção da IA e a maturidade das estruturas de governança e responsabilização dentro das empresas. Adotamos rápido, mas não construímos responsabilidade na mesma velocidade.
Sobre construir confiança quando a lei ainda não acompanhou a tecnologia:
A legislação sempre vai correr atrás da tecnologia — isso é estrutural, não é falha de ninguém. […] Não é a lei que vai gerar confiança da noite para o dia. É a empresa que decide, todos os dias, se vai construir uma cultura que sustente o uso responsável da IA — com ou sem lei pronta.
Sobre regulamentação por princípios:
Regulação por princípio é o que permite à inovação avançar sem virar um monstro — porque o monstro não é a tecnologia, é a tecnologia sem nenhum parâmetro ético te orientando.
Sobre o que mais preocupa Conselhos e áreas jurídicas:
No fundo, a pergunta que mais tira o sono de um Conselho é: ‘se der errado, quem no meu balanço vai ser responsabilizado — e eu sei responder isso hoje?
Sobre inovar com segurança em meio a um cenário regulatório em construção:
Conformidade não é o freio da inovação — é o que dá à empresa segurança jurídica para inovar sem colocar o negócio em risco. […] Governança virou critério de confiança, não apenas de compliance.
Um conselho para quem está estruturando os primeiros programas de Governança de IA:
Comece por gente, não por ferramenta. […] Governança de IA que nasce só da área técnica, sem esse olhar jurídico desde o início, tende a proteger o sistema, mas não protege a empresa.
E a recomendação final que deixei para CEOs, Conselhos e líderes:
Não esqueçam que, no fim, quem decide continua sendo gente — e é gente que vai responder por essa decisão. […] A tecnologia muda todo ano. A pergunta de quem responde por ela, essa não muda nunca.








